Como a oxigenoterapia hiperbárica beneficia a sua pele

A oxigenoterapia hiperbárica (OHB) deixou de ser um procedimento restrito às unidades hospitalares de tratamento de feridas para integrar clínicas de bem-estar, *med-spas* e programas de longevidade. Antes reservada para casos de doença descompressiva e úlceras do pé diabético, a OHB é hoje cada vez mais utilizada como terapia adjuvante para a saúde da pele, o tratamento de cicatrizes e a recuperação estética. Para quem cogita essa opção, a questão é direta: as evidências justificam o tempo, o custo e o comprometimento envolvidos — e a qual nível de pressão?

O que a OHB faz com a pele no nível celular
O princípio básico é simples. À pressão atmosférica normal (1 ATA), o oxigênio é transportado quase inteiramente pela hemoglobina. Respirar oxigênio 100% ao nível do mar acrescenta pouco ao oxigênio que já está na corrente sanguínea. Mas quando a pressão aumenta, o oxigênio se dissolve diretamente no plasma sanguíneo em quantidades que o transporte de hemoglobina não consegue igualar. Esse oxigênio dissolvido atinge os tecidos independentemente da entrega dos glóbulos vermelhos, penetrando em áreas isquêmicas e inflamadas que são mal atendidas pela circulação normal-14.
Na pele, três efeitos posteriores são mais importantes.
Síntese de colágeno. A proliferação de fibroblastos e a deposição de matriz de colágeno dependem de enzimas de hidroxilação dependentes de oxigênio – prolil e lisil hidroxilase. Sem oxigênio adequado, a produção de colágeno é interrompida. O oxigênio plasmático elevado acelera essas reações enzimáticas, apoiando a resistência à tração na cicatrização de incisões e melhorando a integridade estrutural da pele envelhecida-14.
Angiogênese. A hiperóxia regula positivamente o fator de crescimento endotelial vascular (VEGF), desencadeando a formação de novas redes capilares em leitos de tecidos em cicatrização-14. A Geram Health, fabricante de câmaras hiperbáricas, resume o mecanismo claramente: a OHB estimula a formação de novo colágeno e novas células da pele, estimulando o crescimento de novos vasos sanguíneos e estimulando as células a produzirem substâncias como o VEGF, que atraem e ativam as células endoteliais necessárias para a cura-31.
Depuração de células senescentes. Um ensaio clínico prospectivo publicado em 2021 forneceu a primeira evidência humana de que a OHB pode modular a fisiopatologia do envelhecimento da pele. Após um protocolo de três meses, as biópsias de pele dos participantes (idade média de 68,1 anos) mostraram um aumento significativo na densidade de colágeno (p <0,001, tamanho do efeito 1,10), um aumento significativo no comprimento da fibra elástica (p <0,0001, tamanho do efeito 2,71), um aumento significativo no número de vasos sanguíneos (p = 0,02, tamanho do efeito 1,00) e uma diminuição significativa nas células senescentes dos tecidos (p = 0,03, tamanho do efeito 0,84)-44. Os mecanismos demonstrados foram a angiogênese e a eliminação de células senescentes – duas das características reconhecidas do envelhecimento biológico-44.

1,5 ATA: A Pressão para a Cicatrização da Pele
A 1,5 atmosferas absolutas (ATA), a pressão é 50% superior à do nível do mar. A Lei de Henry estabelece que a dissolução de gases em líquidos aumenta proporcionalmente, supersaturando o plasma com oxigênio dissolvido e permitindo que o oxigênio se difunda até quatro vezes mais profundamente em tecidos isquêmicos ou traumatizados do que em condições normais-14.
Esse nível de pressão é utilizado mais comumente para recuperação pós-cirúrgica e reparo tecidual do que para protocolos de longevidade. A fundamentação biológica é específica: a proliferação de fibroblastos, a síntese de colágeno e a angiogênese são prejudicadas em condições de hipóxia, e os protocolos de 1,5 ATA são projetados para restaurar a tensão de oxigênio a níveis que sustentem esses processos-14. A aplicação clínica típica envolve sessões de 60 a 90 minutos, realizadas diariamente ou cinco dias por semana, em um ciclo de 20 a 40 tratamentos, dependendo da complexidade da intervenção cirúrgica-14.
Especificamente para a pele, a pressão de 1,5 ATA é frequentemente utilizada de forma profilática antes de procedimentos como a abdominoplastia. Em um estudo citado em uma revisão baseada em evidências publicada no *Journal of Cosmetic Dermatology*, a oxigenoterapia hiperbárica (OHB) pré-operatória reduziu as complicações de 32,6% (89 pacientes) para 8,4% (7 pacientes), com um valor de p inferior a 0,001-2. A revisão também relatou que, após a OHB, houve um aumento significativo no comprimento das fibras elásticas (p≤0,0001) e na densidade das fibras de colágeno (p=0,0001), juntamente com uma redução significativa na fragmentação das fibras (p=0,012)-2. Trata-se de alterações estruturais na arquitetura da pele, e não apenas de melhorias subjetivas na aparência.
A Geram Health destaca que suas câmaras são projetadas para operar em pressões que incluem 1,3 ATA, 1,5 ATA e 2,0 ATA, refletindo a realidade de que diferentes objetivos clínicos e de bem-estar exigem protocolos distintos. A 1,5 ATA, a ênfase recai sobre a recuperação e o reparo; em pressões mais elevadas, o foco desloca-se para efeitos sistêmicos mais amplos e ações antienvelhecimento.

2.0 ATA: The Longevity and Skin Radiance Pressure
At 2.0 atmospheres absolute, the dissolved oxygen content of plasma rises further. This pressure is commonly used in longevity-focused HBOT programmes, where chambers are typically smaller, designed for single or dual occupancy, and operated at exactly 2.0 ATA-21.
The scientific literature supporting 2.0 ATA for skin and systemic ageing is more developed than for lower pressures. A study at the Shai Efrati and Sagol Center demonstrated more than 20% telomere lengthening and a 10–37% reduction in senescent immune cells following 60 HBOT sessions over approximately 90 days at 2.0 ATA, with 90-minute sessions breathing 100% oxygen with intermittent breaks-21. The same protocol has been reported to produce marked improvements in whole-body skin health-21.
Longevity-focused clinicians generally regard 60 sessions as the gold-standard anti-ageing protocol. However, 20 to 40 sessions delivered three to five times per week at 2.0 ATA may provide partial benefits when completing a full course is not feasible-21. For skin specifically, 2.0 ATA protocols are associated with increased collagen production, improved skin elasticity, and enhanced tissue oxygenation-. The mechanism is consistent with the 1.5 ATA pathway—collagen synthesis, angiogenesis, and senescent cell clearance—but the higher pressure appears to engage systemic ageing biomarkers more effectively.

Oxigenoterapia Hiperbárica (OHB) no Manejo de Cicatrizes e Condições Cutâneas Fibróticas
Além de melhorar a qualidade estética da pele, a OHB desempenha um papel bem documentado no manejo de cicatrizes. No tratamento de queloides, a OHB como terapia adjuvante demonstrou reduzir as taxas de recidiva após excisão cirúrgica e radioterapia, ao melhorar os níveis de oxigênio nos tecidos e atenuar o processo inflamatório. Pesquisas com fibroblastos de queloides revelaram uma diminuição no crescimento celular e na expressão de mensageiros do fator de crescimento semelhante à insulina (IGF) e do fator de crescimento transformador beta (TGF-beta) após a oxigenação hiperbárica crônica. Isso sugere que a OHB pode modular a sinalização fibrótica responsável pela cicatrização excessiva.
No caso de esclerose sistêmica e úlceras cutâneas associadas à esclerodermia, relatos de casos e pequenas séries documentaram alívio da dor e cicatrização completa das úlceras após protocolos de OHB, tipicamente administrados diariamente em ciclos de 20 a 40 sessões. Uma revisão sistemática sobre o uso de OHB no pioderma gangrenoso relatou que, entre 48 pacientes tratados, 58,4% apresentaram cicatrização completa da lesão e 20,8% apresentaram melhora da lesão.
Não se trata de indicações estéticas, mas elas ilustram o mesmo princípio fundamental: uma pele cronicamente hipóxica e inflamada não cicatriza adequadamente, e a restauração do aporte de oxigênio pode romper esse ciclo.

What HBOT Does Not Do
The evidence-based review published in the Journal of Cosmetic Dermatology is candid about the limitations. The review included 17 human studies with 766 participants, and all included studies were judged to be at high risk of bias. Only three studies were classified as level II evidence-2. The authors note that current formal indications for HBOT do not encompass aesthetic applications, even as many centres promote it for skin rejuvenation-2.
In other words, the biological mechanisms are plausible and the early human data are promising, but the evidence base for aesthetic HBOT remains preliminary. This is not a reason to dismiss the therapy—it is a reason to approach marketing claims with appropriate scepticism and to prioritise protocols that have at least some clinical trial support.

Considerações Práticas
A oxigenoterapia hiperbárica (HBOT) para benefícios à pele não é uma intervenção de sessão única. Os protocolos que demonstraram alterações mensuráveis ​​em biópsias de pele envolveram sessões diárias ao longo de três meses. Protocolos de pressão mais baixa para recuperação pós-cirúrgica geralmente compreendem de 20 a 40 sessões. Isso significa que a terapia é demorada e dispendiosa, e o compromisso deve ser ponderado em relação a expectativas realistas.
A Geram Health, fabricante de câmaras hiperbáricas tanto de estrutura rígida quanto flexível para uso clínico e de bem-estar, enfatiza que a escolha da câmara deve corresponder à aplicação pretendida e à pressão de tratamento. Uma câmara flexível operando a 1,3 ATA não é equivalente a uma câmara rígida a 2,0 ATA, e as evidências clínicas de benefícios para a pele são mais robustas nas pressões mais elevadas utilizadas na literatura sobre longevidade e tratamento de feridas.
Para quem considera a HBOT visando à saúde da pele, a posição mais fundamentada com base nas evidências atuais é a seguinte: a HBOT a 1,5 ATA é um tratamento adjuvante razoável para a recuperação cutânea pós-cirúrgica e a cicatrização de feridas; a HBOT a 2,0 ATA apresenta evidências emergentes quanto à modulação do envelhecimento da pele em nível celular; e nenhuma das duas substitui os cuidados dermatológicos padrão nem constitui uma alternativa comprovada aos tratamentos estéticos estabelecidos.

Referências
1. Ben Ner D, D’Souza AR. The Role of Hyperbaric Oxygen Therapy in Enhancing Skin Regeneration and Aesthetic Outcomes: A Literature Review. Facial Plastic Surgery. 2026. 
2. Parnis J, Fenech Magrin AM, Hassan H. The role, safety, and efficacy of hyperbaric oxygen therapy in aesthetic practice—An evidence-based review. Journal of Cosmetic Dermatology. 
3. Geram Health. How does HBOT work? 
4. Geram Health. Explanation of hyperbaric oxygen therapy pressures: applications of 1.3 ATA, 1.5 ATA, and 2.0 ATA. 
5. Formula Health. Optimising Recovery and Longevity: The Science Behind 1.5 ATA Hyperbaric Oxygen Therapy Protocols. 2026. 
6. Trodd T. Hyperbaric Oxygen Therapy (HBOT) as Part of a Healthspan and Longevity Programme. OT&P. 2026. 
7. Makrantonaki E, et al. The effect of hyperbaric oxygen therapy on the pathophysiology of skin aging: a prospective clinical trial. Aging. 2021. 
8. Hyperbaric oxygen therapy for scleroderma wounds: a report on two cases and literature review. Annals of Internal Medicine: Clinical Cases. 2025. 

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