Oxigenoterapia hiperbárica na reconstrução mamária: um adjuvante crucial para o salvamento do retalho.

Introdução: Reconstrução Mamária e o Desafio da Isquemia Tecidual
O cancro da mama afeta aproximadamente 1 em cada 8 mulheres e 1 em cada 800 homens nos Estados Unidos. A oncologia moderna oferece opções de tratamento local (cirurgia e radioterapia) e terapias sistémicas (quimioterapia, hormonoterapia, terapia medicamentosa dirigida e terapia metabólica). As opções cirúrgicas variam geralmente desde a lumpectomia até à mastectomia total.

Após a mastectomia, muitas doentes são submetidas a reconstrução mamária com recurso a retalhos de tecido autólogo e enxertos de pele para restaurar uma aparência natural. No entanto, a transferência de tecido acarreta o risco de um fornecimento sanguíneo inadequado, resultando em isquemia localizada. Sem fluxo sanguíneo suficiente, a sobrevivência dos tecidos fica comprometida, pondo em risco tanto o sucesso da reconstrução como os resultados estéticos.

Como funciona a Oxigenoterapia Hiperbárica (OHB)
A Oxigenoterapia Hiperbárica (OHB) fornece oxigénio 100% puro numa câmara pressurizada, aumentando significativamente a quantidade de oxigénio dissolvido diretamente no plasma. Este estado de hiperoxigenação activa múltiplas vias biológicas de cura:
• Angiogénese: Promove a formação de novas redes de vasos sanguíneos em tecidos com deficiência de oxigénio.
• Activação das Células Estaminais: Estimula a libertação de células estaminais da medula óssea para acelerar a reparação vascular.
• Função Mitocondrial melhorada: Restaura a síntese de energia ATP celular nas células isquémicas.
• Inibição da Lesão de Reperfusão: Reduz respostas inflamatórias e o edema localizado.

Evidência Clínica: Alta Sobrevivência dos Retalhos e Redução das Taxas de Reoperação
Décadas de investigação científica validam a oxigenoterapia hiperbárica (OHB) como uma intervenção eficaz para enxertos e retalhos comprometidos:
•Perrins (1966): A investigação pioneira publicada no British Journal of Plastic Surgery estabeleceu a viabilidade da OHB na preservação de enxertos e retalhos cutâneos.
•Zhou et al. (2014): Uma meta-análise de ensaios clínicos randomizados reportou uma taxa de sobrevivência de retalhos de 62,5% a 100% com OHB, em comparação com apenas 35% a 86,6% nos grupos de controlo.
•Spruijt et al.: Publicado na revista Diving and Hyperbaric Medicine, o estudo mostrou que a utilização da OHB para retalhos mamários isquémicos evitou a necessidade de cirurgias adicionais em 58% dos casos.

Fluxo de Trabalho e Protocolos de Tratamento
• A intervenção precoce é vital quando se identifica o comprometimento dos tecidos. Os cirurgiões plásticos e os especialistas em oxigenoterapia hiperbárica colaboram estreitamente, utilizando ferramentas de diagnóstico como a Monitorização Transcutânea de Oxigénio (TCOM) ou o Doppler Laser para avaliar a perfusão tecidular.
• Encaminhamento Rápido: A avaliação e o início urgentes da oxigenoterapia hiperbárica (OHB) proporcionam as maiores taxas de sucesso.
• Resposta Imediata: Uma melhoria visível (como a mudança da coloração do tecido de escuro/pálido para rosado) pode ser observada após apenas 1 a 2 sessões.
• Duração do Tratamento: A maioria dos doentes completa 7 a 10 sessões (ou aproximadamente 2 semanas de terapia diária) para alcançar a recuperação vascular completa e a cicatrização ideal da ferida.

Conclusão
A terapia com oxigénio hiperbárico (TOHB) representa um valioso tratamento adjuvante não invasivo na reconstrução mamária pós-mastectomia. Ao resolver a isquemia tecidular, estimular o crescimento de novos vasos sanguíneos e prevenir a necrose, a TOHB desempenha um papel crucial na recuperação de retalhos e enxertos de pele comprometidos, ajudando as pacientes a alcançar uma cicatrização física completa e resultados estéticos desejáveis ​​sem a necessidade de cirurgias secundárias.

Referências
•Perrins DJD. Oxigenação hiperbárica de retalhos cutâneos. Relatório preliminar. British Journal of Plastic Surgery. 1966;19(2):110-2.
•Zhou. Taxas de sobrevivência dos retalhos nos grupos HBOT versus controlo. 2014.
•Spruijt NE, Hoekstra LT, Wilmink J, Hoogbergen MH. Tratamento com oxigénio hiperbárico para isquemia de retalho de mastectomia: uma série de casos de 50 mamas. Diving and Hyperbaric Medicine. 2021;51(1):2-9.
•Oxigenoterapia hiperbárica para complicações isquémicas após reconstrução mamária imediata: uma revisão sistemática e meta-análise. Aesthetic Plastic Surgery. 2026.
•Zhu KJ, Heron MJ, Tiongco RFP, et al. Oxigenoterapia hiperbárica na reconstrução mamária imediata com expansor de tecido. Anais de Cirurgia Plástica. 2025;94(4S):S305-S310.
•Rajpal N, et al. Utilização da terapêutica com oxigénio hiperbárico para a isquemia tecidular após reconstrução mamária. Medicina Hiperbárica Subaquática. 2019.

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